Aconteceu no dia 10 de agosto, segunda-feira, na cidade de Maringá/PR o primeiro Seminário Paranapanema de Águas Subterrâneas (Sepanemas) promovido pelo Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio Paranapanema (CBH Paranapanema) com o objetivo de fomentar conhecimento e soluções sobre a utilização das águas subterrâneas na Bacia Hidrográfica do Rio Paranapanema.
O evento contou com a presença de 88 pessoas entre pesquisadores da área de recursos hídricos, usuários de água, representantes do poder público dos estados de São Paulo e Paraná, representantes de entidades civis e interessados na temática para dialogar sobre os desafios e as possíveis soluções que podem ser adotadas na gestão e uso das águas subterrâneas da Bacia Hidrográfica do Rio Paranapanema.
Abrindo o evento tivemos a palestra do Professor da Universidade Estadual de Londrina (UEL) José Paulo Peccinini Pinese, que falou sobre a relação das águas subterrâneas com a saúde humana, destacando a importância do monitoramento e dos estudos sobre águas subterrâneas para garantir a qualidade dos recursos hídricos para o consumo humano, esclarecendo que a falta desses instrumentos pode colocar em risco as populações, dando como exemplo casos como o de Bangladesh, que explorou aquíferos contaminados com arsênio e ocasionou o aumento dos casos de câncer do país.
Já o Professor da Universidade Estadual de Maringá (UEM), Sandro Lautenschlager, falou da relação entre as águas superficiais e subterrâneas, destacando que os dois sistemas hídricos se correlacionam de forma interdependente, já que os aquíferos recarregam os rios, principalmente em períodos de estiagem, da mesma forma que as águas subterrâneas são reabastecidas através da água que filtra pela superfície. O professor ressalta que o entendimento dessa correlação é crucial para a correta gestão desses recursos, podendo servir de base para ações práticas de preservação desses corpos d’água.
O geólogo e doutor em águas subterrâneas Emílio Prandi, abordou aspectos como a contaminação por ação humana e os níveis dos aquíferos. Ele informou que na bacia do rio Paranapanema já é possível identificar contaminação de substâncias como o Nitrato, que se infiltra no subsolo através do manejo de pesticidas na atividade agrícola e de vazamentos no sistema de saneamento básico que abastece as cidades, além disso estudos recentes indicam uma tendência de redução de armazenamento dos aquíferos, muito relacionado as mudanças climáticas. Apesar do cenário preocupante ele destaca que há soluções possíveis, como a purificação e reuso da água, criação de zonas de proteção para recarga e uso de sistemas de irrigação mais eficientes.
Abordando os aspectos práticos da geofísica na perfuração de poços, o geólogo e membro da Câmara Técnica de Águas Subterrâneas (CTIAS) do CBH Paranapanema, Fabrício Mendes, falou sobre o uso de ferramentas e modelos geológicos para identificar as estruturas subterrâneas das zonas de perfuração, e assim aumentar a precisão e sucesso da perfuração de poços, reduzindo os custos e outros riscos da atividade.
Focando nas ações institucionais a Gerente de Gestão de Bacias do Instituto Água e Terra (IAT), Danielle Tortato, falou sobre o monitoramento hidrogeológico do estado do Paraná. Ela esclareceu que o papel do IAT na gestão estadual está ligado a emissão de outorgas (autorização de uso da água), fiscalização e implementação da rede de monitoramento para controle de qualidade e quantidade de água, mas também impactos de atividades humanas e agentes poluidores.
No âmbito federal, o representante da Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA) Gonzalo Fernández, comentou sobre a implementação da Agenda Gira, Gestão Integrada Rio-Aquífero, que considera a interdependência entre rios e aquíferos para o embasamento de decisões de gestão. A agenda baseia-se em três pontos principais: dados de monitoramento, estudos hidrogeológicos e decisões regulatórias e de outorga. Ele informou que diagnósticos em bacias hidrográficas federais já começaram a ser feitos, mas que ainda há melhorias nas redes de monitoramento dos planos de bacia a serem implementados.
Ao final do seminário foi elaborada a Carta de Maringá, um documento que reúne as principais ideias práticas e soluções em gestão dos recursos hídricos subterrâneos que podem guiar ações dentro do CBH Paranapanema, assim como em seus afluentes, colaborando para ampliação do conhecimento e o fomento de ações mais eficientes.
O 1º Sepanemas é uma iniciativa da Câmara Técnica de Águas Subterrâneas (CTIAS) do CBH Paranapanema e contou com o apoio da Associação Brasileira de Águas Subterrâneas (Abas), da Associação Paranaense de Águas Subterrâneas (Apas), do Instituto Água e Terra (IAT), do CBH Médio Paranapanema e da UniCesumar.
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Confira as apresentações: Apresentações Sepanemas 2026
Sobre a CTIAS
A Câmara Técnica de Integração das Águas Subterrâneas (CTIAS) é uma instância consultiva do CBH Paranapanema responsável por dialogar, propor e acompanhar ações relacionadas às águas subterrâneas na bacia. A Câmara foi responsável pela organização do evento.
Os Comitês do Paranapanema
A Bacia Hidrográfica do Rio Paranapanema é composta por sete comitês afluentes, distribuídos nos estados de São Paulo e do Paraná. Na vertente paulista: Comitê da Bacia Hidrográfica do Alto Paranapanema (CBH Alpa), Comitê da Bacia Hidrográfica do Médio Paranapanema (CBH MP) e Comitê da Bacia Hidrográfica do Pontal do Paranapanema (CBH PP); na vertente paranaense: Comitê das Bacias Hidrográficas dos Rios das Cinzas, Itararé, Paranapanema 1 e 2 (CBH Norte Pioneiro), Comitê das Bacias dos Rios Pirapó, Paranapanema 3 e 4 (CBH Piraponema) e o Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio Tibagi (CBH Tibagi)