CHUVAS IRREGULARES MARCAM INÍCIO DO PERÍODO ÚMIDO NA BACIA DO PARANAPANEMA

A Sala de Acompanhamento do Paranapanema aponta um cenário de atenção para a Bacia Hidrográfica neste início de ano. Em dezembro, o volume de chuvas ficou ligeiramente acima da média histórica, porém de forma mal distribuída. Apesar do acumulado positivo no conjunto da Bacia, não houve volumes significativos nas cabeceiras, regiões estratégicas para a manutenção das vazões ao longo do sistema.

Já no mês de janeiro, a situação se agravou. Os dados mais recentes indicam que as chuvas estão bem abaixo da média esperada para o período, o que acende um alerta para os próximos meses, especialmente em relação à segurança hídrica e ao armazenamento nos reservatórios.

De acordo com informações do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), a tendência é de que entre os meses de março e abril tenha início o fenômeno El Niño, conhecido por alterar o regime de chuvas em diversas regiões do país. Historicamente, esse fenômeno está associado à redução das precipitações no Sudeste e em parte do Sul do Brasil, impactando diretamente as bacias hidrográficas.

O 1º vice-presidente do Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio Paranapanema (CBH Paranapanema), Marco André D’Oliveira, ressaltou a preocupação com o cenário projetado. Segundo ele, foi justamente durante a ocorrência do El Niño que os reservatórios do Paranapanema registraram os menores níveis já observados, o que reforça a necessidade de monitoramento constante e de planejamento antecipado.

De acordo com o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), os volumes úteis registrados hoje (20) são de 57% em Jurumirim, 51% em Chavantes, 87% em Capivara e 51% em Mauá. A simulação de operação é chegar ao fim de janeiro de 2026 com Jurumirim em 61%, Chavantes em 50%, Mauá em 52% e Capivara em 74%. Para isso, as diretrizes de operação serão Jurumirim – 90 m³/s, Chavantes – 162 m³/s, Mauá – 132 m³/s e Capivara – 905 m³/s.

A Sala de Acompanhamento do Paranapanema seguirá avaliando a evolução das condições hidrometeorológicas, subsidiando o Comitê e os órgãos gestores na adoção de medidas preventivas e na tomada de decisões voltadas ao uso sustentável dos recursos hídricos. A próxima reunião está agendada para 19 de fevereiro.