Nesta quarta-feira (19), ocorreu mais um encontro da Sala de Acompanhamento do Sistema Hídrico da Bacia Hidrográfica do Rio Paranapanema, realizada de forma online com a participação dos órgãos gestores, do setor elétrico, dos Comitês da bacia e interessados na temática para avaliar o cenário atual considerando o fim do período de chuvas e início da estiagem.
A reunião se iniciou com as considerações do representante do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), o Meteorologista Danielson Neves, que esclareceu sobre o regime de chuvas e níveis de temperatura ao longo da Bacia. Ele pontuou que as precipitações de chuvas se concentraram mais na região norte da Bacia, mantendo os parâmetros dos meses anteriores, com volume abaixo da média e temperatura acima do esperado para o período.
Já o representante do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemadem), o Coordenador Marcelo Seluchi, pontuou principalmente sobre o panorama geral dos últimos meses, destacando a queda acentuado do regime de chuvas a partir de janeiro de 2026, que se prolongou pelos meses de fevereiro e março, o que corroborou para o cenário de seca generalizada que se estende pela Bacia do Paranapanema. Ele destacou ainda, que o nível da seca pode ser considerado de fraca a moderada, tendo apenas pequenas regiões de provável seca severa.
O coordenador do Cemadem também levantou preocupação sobre os períodos de mudanças entre os fenômenos La Ninã e El Ninõ, que está previsto para ocorrer no 2º semestre de 2026. Sem um período de transição entre os fenômenos, algo que ele considera muito raro, pode trazer consequências importantes, por isso ele reforçou a importância do monitoramento.
A representante do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), Camila Azevedo de Souza, esclareceu a situação geral dos reservatórios e o impacto na geração de energia na bacia do Paranapanema consequente do regime de chuvas e das operações aplicadas. Dos níveis atuais dos reservatórios a situação é: Jurumirim: 59%, Chavantes: 39%, Capivara: 66% e Mauá: 14%. Também foram detalhadas as diretrizes operativas previstas, com as seguintes vazões defluentes médias e previsões de níveis até 30 de março deste ano: Jurumirim – 223 m³/s, chegando a 52%; Chavantes – 174 m³/s, chegando a 48%; Mauá – 59 m³/s, chegando a 20%; e Capivara – 850 m³/s, chegando a 63%.
Tendo em vista este cenário, o vice-presidente do Comitê Marco André d’ Oliveira demonstrou preocupação com o nível do reservatório de Jurumirim. Segundo ele, a finalização dos períodos de chuvas com um nível próximo de 50%, está bem abaixo do histórico nos últimos anos, quando o reservatório iniciava o período de seca com níveis próximos de 70%.
A Sala de Acompanhamento segue como espaço fundamental para avaliação técnica, compartilhamento de informações e definição de estratégias de gestão, garantindo maior segurança hídrica e energética para a Bacia Hidrográfica do Rio Paranapanema.